Ipê-verde - Cybistax antisyphilitica

Estava concentrada, lendo o jornal na Internet. O celular tocou. Era o Clayton. "Tô aqui na Lorena. Você pode descer? Tenho uma coisinha pra você" Humm, adoro surpresinhas. Com um sorriso fofo, meio sem jeito, apressado, me entregou um ipê-verde e balinhas, compradas numa padaria próxima, me deu um beijo e correu de volta pro carro. Aí eu sentei na entrada do prédio e fiquei uns minutos parada, olhando o meu ipê e meditando, contemplando o encanto daquela hora. Ok, não estou mais chateada com a contenda de hoje cedo. E, olha, não devo ter mais dúvidas de que ele realmente é a pessoa que faltava. Ipê-verde é agora a minha árvore preferida e símbolo de amor. Do meu, pelo menos.



Escrito por Suzana às 14h06
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Proposta indecente

A frase foi como um soco no estômago, foi vomitada no e-mail, sem aviso prévio. Rejeito essa terceira via proposta sem nenhum rubor. É preferível não ser hípócrita, dizer a verdade, claro. Mas se essa for a verdade, se o desejo for esse mesmo, prefiro saltar fora.



Escrito por Suzana às 16h31
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In Memorian

"Somos morte. Isto, que consideramos vida, é o sono da vida real, a morte do que verdadeiramente somos. Os mortos nascem, não morrem. Estão trocados, para nós, os mundos. Quando julgamos que vivemos, estamos mortos; vamos viver quando estamos moribundos.
Aquela relação que há entre o sono e a vida é a mesma que há entre o que chamamos vida e o que chamamos morte. Estamos dormindo, e esta vida é um sonho, não num sentido metafórico ou poético, mas num sentido verdadeiro.
Tudo aquilo que em nossas actividades consideramos superior, tudo isso participa da morte, tudo isso é morte. Que é o ideal senão a confissão de que a vida não serve? Que é a arte senão a negação da vida? Uma estátua é um corpo morto, talhado para fixar a morte, em matéria de incorrupção. O mesmo prazer, que tanto parece uma imersão na vida, é antes uma imersão em nós mesmos, uma destruição das relações entre nós e a vida, uma sombra agitada da morte.
O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela.
Povoamos sonhos, somos sombras errando através de florestas impossíveis, em que as árvores são casas, costumes, ideias, ideais e filosofias.
Nunca encontrar Deus, nunca saber, sequer, se Deus existe!
Passar de mundo para mundo, de encarnação para encarnação, sempre na ilusão que acarinha, sempre no erro que afaga.
A verdade nunca, a paragem nunca! A união com Deus nunca! Nunca inteiramente em paz, mas sempre um pouco dela, sempre o desejo dela!" (Fernando Pessoa)

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José Domingos de Andrade faleceu  na madrugada desta segunda-feira em Caruaru, Pernambuco, de complicações pulmonares. Ele tambérm sofria há anos de Mal de Parkinson. Deixou mulher, Maria Tereza de Andrade, filhos, netos  e bisnetos. No próximo dia 30 completaria 84 anos.
Morreu em casa, ouvindo cantoria de viola, uma de suas paixões. Uma de suas últimas frases foi: “Cuide de Tereza”.
Nós convivemos pouco juntos. Quando eu era criança sempre ia visitá-lo, mas a partir da adolescência, passei a vê-lo menos. Por causa da doença ele ficou incapacitado de vir a São Paulo também. Ele gostava de jogar dama e dominó e gostava de conversar, bater papo. Era um galanteador e também vaidoso. Fazia as unhas, pintava-as de base, e mantinha os sapatos engrachados, as roupas impecáveis.
Quando íamos (eu e minhas irmãs) passar férias lá, ele saía junto conosco pra comprar presentes. Era uma pessoa muito generosa e feliz, mas a doença tirou um pouco do brilho dele. E nos últimos momentos de sua vida, ele conviveu com muitas adversidades, com desunião, discódia, brigas. Que descanse em paz.



Escrito por Suzana às 16h16
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Migração

Copiando uma idéia da Vilma, em breve contarei aqui a história da vinda da minha família de Pernambuco pra São Paulo.  



Escrito por Suzana às 18h00
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Mar Adentro

Fui ver Mar Adentro com a certeza de que iria gostar. Só pelo fato do Javier Barden, de Segunda-feira ao Sol e Carne Trêmula, ser o protagonista já vale a pena dar uma conferida no filme, que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro.

Também tinha a certeza de que iria chorar, por isso fui munida de lencinhos de papel. Um filme de duas horas que fala sobre eutanásia não é fácil de engolir.

Uma das cenas emocionantes é quando ele sonha estar voando e toca a bela Nessun Dorma, do Puccini, na voz do Luciano Pavarotti. Dá um nozinho na garganta.

Pensando no tema do filme, na história do cara que fica tetraplégico e não encontra mais sentido pra viver, acho até defensável a eutanásia. Acho que ele tem o direito de optar se quer continuar a vida sofrendo, ou morrer de uma vez. Ele não consegue na justiça o que planeja.

Mas e o cara que quer se suicidar? Até entendo quem dá um tiro na cabeça, mesmo são de corpo, mas acho indefensável.

Meu primo de vinte e poucos anos se matou há alguns anos. Foi encontrado enforcado pela mãe. Ele era dependente químico. Achei a atitude dele totalmente covarde. Ele tinha outros meios de sair do buraco, curar a depressão, buscar uma vida melhor, se tratar. O personagem do filme poderia até encontrar uma sentido pra viver, como o Christopher Reeve que fazia campanhas favoráveis à pesquisa com células-tronco, mas a situação dele é irreversível. A do meu primo não.

Se não fosse a companhia do Clayton sairia deprê do cinema. Mas respirei fundo, ganhei um super abraço gostoso, de lá fomos a um restaurante e dormimos juntos, meio brigadinhos, ok, mas juntos. Happy End.



Escrito por Suzana às 17h47
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PEQUENAS EPIFANIAS (Caio Fernando Abreu)

Dois ou três almoços, uns silêncios.
Fragmentos disso que chamamos de “minha vida”.


Há alguns dias, Deus – ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus –, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.
Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer – eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal – não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de “minha vida”. Outros fragmentos, daquela “outra vida”. De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.
Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.
Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector – Tentação – na cabeça estonteada de encanto: “Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível”. Cito de memória, não sei se correto. Fala no encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece.
De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou – descuidado, também – em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia.
Era isso – aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.
Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.



Escrito por Suzana às 13h17
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Cadê minha família?

A cachorrinha fofa da foto está à procura de sua família. Ela foi encontrada por um amigo meu na rua e aguarda notícias de seus parentes. Quem souber do paradeiro da família ou quiser adotá-la, fale comigo. Eu até que gostaria de levá-la pra casa, mas infelizmente não tenho tempo nem espaço suficientes pra isso. Ano passado adotei um cachorrinho que eu achei nas ruas do Bixiga, mas foi uma confusão lá em casa que tive que dá-lo pra outra pessoa.



Escrito por Suzana às 15h04
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Machuca

Apesar de se passar no Chile de 1973, ano do golpe militar liderado por Pinochet, "Machuca" não aborda a política da época. Os personagens centrais são duas crianças, Gonzalo Infante e Pedro Machuca. O primeiro, filho da classe média alta, e o outro, morador de uma favela.

O encontro de ambos acontece no colégio religioso de classe média alta onde Gonzalo estuda. O padre resolve abrir vagas para os moradores pobres que vivem nas proximidades da escola, quer promover a integração entre as classes sociais.

Destaque para o discurso da mãe do Machuca numa reunião do colégio. Eu destaquei essa cena melancólica, mas é que há um clima de tensão no ar, pois sabemos que aquela integração não é bem quista pelos pais que pagam a mensalidade, pelos ricos, e a gente também sabe que no final o Pinochet vai entrar e estragar tudo. Mas há cenas divertidas e igualmente comoventes e é interessante a descoberta que os dois amigos fazem do mundo um do outro.

"Machuca" concorre com uma dezena de filmes, entre eles "Olga", por uma das cinco indicações ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Com certeza merece entrar nessa lista.



Escrito por Suzana às 19h49
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Uma mordida

Minha oral presentation será em dezembro. Eu e meu grupo escolhemos como tema as tribos urbanas em São Paulo. Eu vou falar sobre os góticos. Além de pesquisar sobre os caras na internet, entrei no orkut e encontrei várias comunidades sobre góticos e muitos personagens. Um deles, a Gotich Baby, me deu entrevista e foi muito prestativa, uma gracinha. A assinatura dela vem com vampirinhos ao redor.

Resolvi entrevistar algumas pessoas porque não sei nada sobre góticos, apenas que se vestem de preto e gostam de cemitérios, e terei mais informações pra minha apresentação. Outro mocinho me respondeu hoje aceitando falar e me convidou para dois encontros, sábado e domingo, no Ibirapuera. Disse que é só chegar lá e perguntar sobre Deus que eu o encontrarei. E se despediu com uma mordida. Ui!

 



Escrito por Suzana às 09h16
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Ainda chego lá

Firme na minha idéia de levar uma vida mais saudável e praticar esportes, lá fui eu sábado de tênis novo, especial pra corridas, calça de cotton e blusinha, correr no parque Buenos Aires. Comecei meio tímida, vi umas pessoas correndo e resolvi acompanhá-las. Fiquei envergonhada quando alguns ambulantes ficaram reparando meu traseiro, que nem é grande, mas a calça justa branca o deixou maiorzinho.

Corri cinco minutos e era como se eu tivesse completado uma maratona. Cadê o fôlego? Fora que começaram a surgir dores e pontadas pelo corpo todo. E nem corri tão forte. O jeito foi fazer a minha caminhadinha de leve. Mas ainda não desisti do objetivo de ser triatleta. Enfim, planos, aproveitando que o fim do ano está chegando.

 

 



Escrito por Suzana às 13h12
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I don't believe!

Um site de notícias de medicina e indústria farmacêutica publicou recentemente uma nota sobre o lançamento de um gel lubrificante com o seguinte título: "Chega de atritos na relação". 

Calma, tem mais! O texto termina assim: "Vale experimentar, afinal uma escorregadinha sempre faz bem a relação".

 



Escrito por Suzana às 11h03
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Gafes da imprensa na cobertura das eleições I

Ontem, após o debate entre os candidatos Marta e Serra, foi ao ar o Jornal da Noite, apresentado pelo Roberto Cabrini. O jornal apresentou uma matéria especial sobre o debate, mostrando os bastidores do evento. Certa hora o Cabrine chamou um repórter que estava nos estúdios da Rede Bandeirantes ao vivo para mostrar a movimentação por lá.

O cara não tinha muito o que falar, mostrou a concentração de pessoas no local e o coquetel que era servido para os convidados. E soltou a pergunta para a câmera: "Quem ganhou o debate: Marta ou Serra? Vamos ouvir a opinião desse senhor".

O senhor em questão teceu elogios à performance do Serra que, segundo ele, era o mais seguro em cena. O Cabrini interrompeu na hora dizendo que ele não podia pegar a opinião daquele homem, que tava na cara era psdebista. Ressaltou que o mesmo tem todo o direito de opinar, mas não tinha neutralidade para responder tal pergunta. O repórter, com a maior cara de salame, confirmou que ele o senhor era psdebista mesmo. Tudo isso ao vivo.

Parece até combinado pra construir uma imagem de imparciabiliade da TV Bandeirantes na cobertura das eleições e que ela está longe daquele padrão certinho de apresentar telejornal como a Globo.



Escrito por Suzana às 13h51
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Isso é Fernando Sabino *

Você acredita em Deus? Não sabia por que, sentia que deveria decidir-se, era uma pergunta que ficara sem resposta, queria sempre poder responder a tudo, estar pronto a ser interrogado, fugir às respostas dúbias, hesitantes que nada diziam. Olhou pela janela o céu estrelado, a imensidão infinita do céu... Não foi preciso muito para concluir que, sem Deus, jamais chegaria a entender onde o universo começava e onde acabava, de onde vinha ele, para onde iria. Concentrou-se e respirou fundo, e declarou com firmeza:

- Acredito.

Era um ponto de partida. Imediatamente saltou da cama, rezou um Padre-Nosso e uma Ave-Maria. Depois tornou a deitar-se, sentindo que um mundo de novas perspectivas se abria para ele - precisava estudar Apologética mesmo, quem sabe? apurar umas tantas coisas, ver os acontecimentos através de nova maneira de pensar - teria muito em que pensar no dia seguinte, e nos dias seguintes, em todos os dias seguintes de sua vida.

Trecho extraído do livro O Encontro Marcado.

*Fernando Sabino morreu hoje, aos 80 anos, no Rio de Janeiro.



Escrito por Suzana às 20h39
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A Marta não sabe brincar

"Chega, vai. Me poupa". Foi com essa frase que Marta despachou uma repórter da Folha que tentou retomar uma entrevista com ela durante o VMB, da MTV, ontem.

Desse jeito não tem Duda Mendonça que diminua a rejeição dos paulistanos à figura pouco sutil e destemperada da atual prefeita.

 


 



Escrito por Suzana às 10h43
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A primeira vez

O Gabriel, meu primo que vai fazer sete anos mês que vem, chegou em casa ansioso, chamou meu irmão no canto e disse baixinho:

- Vitor, preciso te contar uma coisa.

- Fala, Gabriel!

- Eu fiz sexo com a boneca.

- Hahahahahahaha. Como foi?

- Ah, eu tirei a roupa e fiquei em cima dela, beijando.

- Hahahahaha.

Pode?

 



Escrito por Suzana às 17h19
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